O ÓBVIO FINALMENTE REVELADO!!!

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Sou um saci sumério de Botucatu.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

FAIXAS DE SEGURANÇA E SEMÁFOROS

Eu pensei que 2012 seria um marco na história da cidadania brasileira com as medidas tomadas na cidade de São Paulo com respeito às faixas de segurança. Apesar das campanhas e de até uma boa adesão inicial, ao que tudo parece, as faixas continuam tão desrespeitadas quanto antes. De quem é a culpa?
 


Não consigo deixar de pensar que a culpa é de todos nós.

Comecemos pelas faixas elas mesmas. Imagine a seguinte situação: estou de carro com a boa intenção de respeitar a função das faixas (afinal, para que serviriam aquelas listras brancas se não fossem para isso? Para enfeitar a rua?). Sou um motorista consciente e altruísta: acredito realmente que se fizer assim, mostrarei ao outro que nem todo mundo é grosseiro e violento. Respeito o outro não por um dever cristão, mas por o outro merecer ser respeitado, assim como eu exijo respeito para mim mesmo.

No entanto é comum deparar-me com situações desmotivadoras, por exemplo: além da faixa que se me apresenta antes do cruzamento, há outra logo depois do cruzamento - e pessoas querendo atravessar ambas. Pois bem, seria irracional se eu respeitasse a primeira, mas não a segunda, mas...a verdade é que, se assim faço, fecho o cruzamento, impedindo a passagem de carros, o que, além de incomodar os outros motoristas, pode resultar em multas para mim.

Concluo desse caso particularíssimo que a culpa é dos órgãos que pintam as faixas e pergunto: por que as faixas estão tão próximas das esquinas?

Com um pouco de convívio com a nossa cultura, logo percebemos que estão assim por uma razão prática. Aparentemente, se não estivessem, algumas pessoas atravessariam na esquina, longe da faixa (daí vermos correntes, canteiros e outros obstáculos que impeçam o pedestre de ter a tentação de atravessar esquinas onde não há faixa). Daí nasce uma lição para o estrangeiro ou para o marciano que nos visite: os órgãos responsáveis pela organização do trânsito levam em conta os hábitos do cidadão, por mais incivilizados que sejam.


Mas entre os hábitos do cidadão está o de atravessar fora da faixa. Confesso: eu mesmo faço isso e, de fato, se, nessa situação, não há carros, qualquer pessoa diria que isso é razoável, pois não somos robôs. Isso ocorre até mesmo nos países em que as faixas são seguidas. Mas a situação muda de figura quando o pedestre atravessa no meio do trânsito. Quem dirige está acostumado a ver pedestres, como zumbis, driblando os carros, correndo o risco de ser atropelados pateticamente, deixando toda a responsabilidade de uma tragédia para o motorista, quando não deveria ser bem assim, pois um motorista atento pode desviar-se de um pedestre imprudente que se arrisca, mas não de outro, que pensa igualzinho, e que atravessa a rua na direção contrária. Como não é possível multar pedestres, devemos apelar para o bom-senso?

Aliás, bom-senso é o que justamente falta também para os motoristas (e nem preciso explicar-me por quê: basta aventurar-se no nosso trânsito para ver).

Não falo só de motoristas que fazem manobras arriscadas ou que são extremamente agressivos. Todos nós os conhecemos.

Também não falo somente daqueles que andam excessivamente devagar ou que param em filas triplas, como se fossem donos da rua (afinal, nesse ponto, somos coerentes porque temos aqui a mesma mentalidade egoísta do comportamento das escadas rolantes, a despeito dos cartazes nos metrôs que pedem para deixar a esquerda livre). Tais cidadãos devem partir da premissas filosóficas, tais como: "o mundo além de mim não existe" ou algo do gênero. Seríamos berkeleyanos? Esse traço cultural, do qual nem sempre nos apercebemos, atinge todas as faixas etárias e todas as classes sociais de brasileiros: "só existe o que está na nossa frente, para que nos desviemos, não há ninguém do meu lado nem atrás de mim"...

Também não falo daquele motorista paradoxal que respeita as faixas, exceto no dia em que está com pressa, ou apenas respeita para algumas pessoas, quando se lembra, ou segundo algum critério idiossincrático (apenas para aleijados ou para moças bonitas). Respeitar as faixas quando nos dá na veneta e não as respeitar é o mesmo...

Falo da grandessíssima maioria dos motoristas, sem grandes distinções.

Ora, os motoristas também são pedestres. Não nos esqueçamos do famoso e antigo vídeo do Pateta:

http://www.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0 

Se não há uma divisão de castas entre pedestres e motoristas, entendo que os motoristas e os pedestres somos todos nós. Bom, a partir desse pressuposto, vejamos.

O motorista não respeita a faixa porque não pensa sobre quão desumano é desrespeitá-la. Imagino que alguns motoristas (e pedestres) sejam de fato sádicos, mas duvido que seja a maioria. Nosso povo tem fama de bonachão e boa-praça... ao menos é essa nossa auto-imagem. Estamos tão enganados assim com nós mesmos? O bom-senso também diz que um carro, com alguma velocidade, é uma arma, afinal, é uma tonelada de ferragens contra um corpo frágil de carne. Acidentes diários envolvendo pedestres o provam, muitos deles ocorridos na faixa, criando tragédias que seriam facilmente evitadas. Se teimamos em desrespeitar o pedestre, seremos todos assassinos em potencial? Quero crer que não. Talvez o brasileiro goste de respeito, mas não goste de respeitar, mas prefiro pensar que não é dado a muita filosofia e nem sequer pensou nisso, até que se convença sozinho, sabe-se lá como...

O vício de não respeitar as faixas talvez venha de um outro elemento cultural. A cultura das multas desnecessárias. Alguém já percebeu uma coisa no mínimo ridícula? Em lugares em que há faixa mas não há semáforo, raramente alguém pára o carro e deixa o pedestre passar, mas se há um semáforo, mesmo sem cruzamento e sem pedestre, todos os carros param e ficam lá, paradinhos, docilmente esperando o vermelho ficar verde (e sentindo-se bons cidadãos). Essa cena é patética e só me faz pensar o seguinte: só paramos nos semáforos porque temos medo? Medo de colisão? Medo de multa? Esse medo nos fez agir como ratinhos de Skinner, respeitando luzes vermelhas e verdes mas não pensando nas consequências de um atropelamento ou mesmo da violência de impedir o direito alheio de exercer sua cidadania? Os pedestres por sua vez se resignam também por medo? Só por isso? Somos um monte de medrosos?

Obviamente estou generalizando sobre o comportamento de uma maioria incontestável. Há exceções e elas aumentaram bastante desse ano para cá. O brasileiro hoje viaja mais que antes, vê que a faixa é respeitada em outros lugares: na Suíça, no Uruguai, em João Pessoa... Não é um luxo, mas uma consciência adquirida, um exercício diário, que demora para virar um hábito mas é preciso tentar, para o bem de todos. Hoje, quando paro meu carro (após perceber que os pedestres esperam há tempos esse gesto de alguém), é comum que outro motorista pare do meu lado e colabore para o pedestre, como que por vergonha de transgredir. Não era assim até ano passado. Eu vivia recebendo buzinas indignadas dos carros atrás de mim, mesmo quando na minha frente havia uma pessoa de idade querendo atravessar. Exigia-se velocidade, mesmo se depois daqueles centímetros de faixa, houvesse o maior engarrafamento da história. Alguns segundos não atrapalharão a correria enlouquecida daquele que dirige e, se está atrasado, azar dele, afinal, que é mais importante? O mesmo motorista que pára, num ato de solidariedade comigo (outro motorista e não necessariamente com o pedestre), não teria feito o mesmo se eu não parasse? Enfim, devemos só fazer o que todo mundo faz? Parece que a personalidade das pessoas depende cada vez mais do que pensa a maioria... os alemães descobriram a duras penas as consequências desse raciocínio após a Segunda Guerra.

 
Penso que o fato de haver multas por passar no vermelho numa faixa que NÃO está num cruzamento e na qual NÃO há pedestres só pode vir de uma reflexão e de conclusão: regras não podem ser relativizadas e o povo não tem consciência, pois só entende o verde e o vermelho do semáforo, mas não está disposto a entender quando o pedestre tem preferência. Convenhamos, tal tese terrível, talvez advinda de estatísticas ou do bom senso, é o que a organização pública do trânsito tenta evitar quando cria mecanismos de multa aparentemente ilógicos, quero crer.

Duas regras atuais garantiriam a civilidade. São simples:

- os semáforos devem ser respeitados;
- na falta de semáforo, o pedestre que estiver sobre uma faixa deve ser respeitado

E só.

Depois que todos nós fizermos isso, vamos reclamar das faixas mal colocadas, dos semáforos ilógicos, do perigo de colisão traseira para aquele que as respeita e reinvidiquemos nossos direitos de uma forma menos egoísta. Descrer na eficácia de campanhas úteis para todos, por causa de nossa desilusão atávica, parece contraditório com o entusiasmo brasileiro dos últimos anos. E mais: os pedestres não precisam agradecer a caridade dos motoristas que param. Não fazem mais que a obrigação. A mesma pessoa que dirige, quando está na sua condição de pedestre, aprecia quando lhe parem. Ninguém faz nenhum favor ao outro, mantendo-lhe a vida.

Na verdade, não existe a dicotomia pedestre/ motorista: são paulistas, são brasileiros, são seres humanos, alguns mais bem educados que outros, ora a pé, ora atrás de um volante.

Cidadania não é só para si, mas também para o outro.

sábado, 25 de agosto de 2012

INÍCIO DO BLOG DE MÁRIO VIARO

Dia 25/08/2012

Um pequeno passo para o homem e um menor ainda para a humanidade: comecei meu blog hoje.

Espero gostar disso. As redes sociais até agora não me atraíram.